sábado, 17 de maio de 2014

ALANDROAL: 25 de Abril trouxe o Povo à Rua




O Alandroal comemorou o 40º aniversário da revolução de 1974 com diversas atividades pelo concelho. Uma data que toda a população fez questão de recordar e celebrar saindo à rua de cravo na mão.
Os festejos tiveram início na noite de 24 de abril com a peça de teatro “É Preciso não esquecer”, encenada pelos alunos da Universidade Sénior Túlio Espanca. Como o nome indica, a peça deu a conhecer aos mais novos o 25 de Abril e recordou aos mais velhos alguns dos acontecimentos que marcaram o país durante a ditadura. Temas como o ultramar, a destruição das famílias e dos sonhos dos jovens que partiram para as colónias, a censura e as repressões sofridas pelos opositores do regime foram os pontos-chave do teatro que culminou com a entoação da canção Grândola Vila Morena, a qual levantou toda a plateia.
Durante a manhã de 25, as ruas encheram-se de cidadãos para assistirem ao tradicional hastear da bandeira na Câmara Municipal e nas sedes de freguesia. Um momento cheio de emoção e significado acompanhado pela Banda do Centro Cultural de Alandroal.
Ainda de manhã foi inaugurada na vila de Terena uma exposição sobre o 25 de Abril, com desenhos e outros trabalhos das crianças do 1º ciclo e um atelier de pintura na Praça da República em Alandroal, intitulado “Pintar a Liberdade”, no qual os mais novos deram largas à imaginação.
O almoço convívio decorreu em Montejuntos, seguido de um momento musical com “Os Filhos da Liberdade” (Jorge Vadio, Nuno Barroso e Mário Leão).
Durante a tarde a população deslocou-se até ao Alandroal para ouvir o grupo “Trigueirão do Relheiro”, e os grupos corais de Alcáçovas e Malagueira, assim como o espetáculo de Manuel Freire “Cantigas de Abril”.
As comemorações não ficaram por aqui e no dia seguinte, 26 de abril, Terena voltou a receber a final da “5ª edição Seixal” em bicicleta, com chegada ao Santuário da Boa Nova.
Também no dia 30 de abril, integrado nos festejos, esteve em exibição no Fórum Cultural de Alandroal o filme “Até Amanhã Camaradas”.
O 40º aniversário da revolução dos cravos é comemorado durante todo o ano e várias são as iniciativas agendadas.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

TEXTOS DE ABRIL (2): Paraíso Fiscal

Paraíso Fiscal
Letra: Miguel Cardina; Música e arranjo: Diabo a Sete
Intérprete: Diabo a Sete* com Carlos Guerreiro (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)

Dez cabelos penteados
Não pagam imposto
A luva está mais barata
Do que o fogo posto

Sabe bem pagar tão pouco
O segredo é total
Tens na ilha uma morada
Virtual

No Paraíso Fiscal
O silêncio é d'ouro
As mobílias são de prata
E os jardins de couro

Anjos, deuses, capitais
Filhos de alguém especial
Somar zeros à direita
Não faz mal

No Paraíso Fiscal
A justiça é cega
As fronteiras apagadas
E o tempo escorrega

Sabe bem pagar tão pouco
O segredo é total
Tens na ilha uma morada
Virtual

Guarda, rico, o teu roubo
Franca liberdade
Virar isto do avesso
Seria maldade

Somos sombras invisíveis
Sem gravata p'ra apertar
Mas hoje a nossa tampa
Vai saltar

Dez cabelos penteados
Não pagam imposto
A luva está mais barata
Do que o fogo posto

Sabe bem pagar tão pouco
O segredo é total
Tens na ilha uma morada
Virtual

No Paraíso Fiscal
O silêncio é d'ouro
As mobílias são de prata
E os jardins de couro

Anjos, deuses, capitais
Filhos de alguém especial
Somar zeros à direita
Não faz mal

GRÂNDOLA: Apresentação de livros


terça-feira, 13 de maio de 2014

TEXTOS DE ABRIL (1): Crónica de um tempo incerto

Partir! Partir, sempre. E regressar...
No princípio foi o sonho e a aventura em caravelas transbordando
Espalhámos a fé, levámos a “civilização ocidental” (sempre a civilização ocidental a moldar-nos, a tolher-nos os passos e os pensamentos), estendemos o poderio militar, dominámos, fomos conquistadores (de quê?), criámos mitos e heróis, mas olhando de soslaio as especiarias, o ouro e a glória...
Tudo tivemos e desbaratámos. Como agora. O cravinho e a pimenta. A malagueta e o açúcar. O café e o tabaco. Até o ouro do Brasil (quantos negreiros, quantos escravos mortos, quanto sangue derramado?) desperdiçámos. Tantos sonhos de riqueza em pouco tempo esfumados...
E novos sonhos se desfizeram em viagens consumidos.
Miragem de uma pátria imperial, estendida pelas cinco partidas do mundo, mas configurada sempre ao rincão original, europeu.
Partimos. Estendemos os olhos e a cobiça, fomos senhores de um vasto império.
E voltámos, sempre, mais pobres do que nunca, esquecidos de nós próprios...
Atravessámos mares e oceanos, desbravámos caminhos e florestas, fizemos a travessia do deserto e do tempo. Chegámos à década de 60 do século passado. Famintos, oprimidos, estranhos na própria “casa”, lançámo-nos noutra aventura: a conquista do pão e da dignidade.
Demandámos outras paragens, partimos novamente. Atravessámos Alpes e Pirinéus, fintámos a fome, suportámos os rigores do frio e da neve, enganámos os carabineiros.
Uns. Outros, não... Alguns jazem, sabe-se lá em que vereda ou ravina, perpassados pelas balas das armas dos homens sem coração ou pelo espírito da traição...
Partir e voltar. Sempre. O retorno ao rincão natal. A vida ligeiramente melhor. A dignidade reconquistada (será?).
Português. Povo que sofre, que luta, parte e retorna.
Já Eça, há uma século atrás entendia a sua alma.
Mário Mendes – Fev.1986

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Fundação INATEL: Exposição 1º de Maio - 40 anos em liberdade

Academia INATEL - Parque de Jogos 1º de Maio - Entrada Livre
3 - 31 de maio | inauguração dia 3 às 15h | 3ª a 6ª das 14h às 20h | sábado e domingo das 10h às 20h
Visitas guiadas para grupos de escolas (sob marcação) 3ª a 6ª das 10h às 13h | t. 210.027.193 | 40anos1demaio@inatel.pt
 A Fundação INATEL assinala os 40 anos do 1º de Maio de 1974 com uma exposição comemorativa do evento que levou milhares de portugueses às ruas de Lisboa, lembrada como a maior manifestação popular alguma vez registada. A concentração dos manifestantes ocorreu na Alameda D. Afonso Henriques, dali se dirigindo ao então denominado Parque de Jogos da FNAT, entretanto rebatizado como Estádio 1º de Maio.
Esta iniciativa promove a exibição de materiais documentais, nomeadamente fotografias e testemunhos, que revelam a história dos acontecimentos do primeiro 1º de Maio após 25 de Abril de 1974. Conta com o apoio do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, centrais sindicais CGTP e UGT, OIT, Cinemateca Portuguesa, Associação 25 de Abril, Grupo RTP e DN.
Durante a inauguração, no dia 3 de maio, pelas 15h, será pintado um mural pelos alunos da Escola Secundária Artística António Arroio.
A mostra ficará patente até 31 de maio.