terça-feira, 20 de maio de 2014
sábado, 17 de maio de 2014
ALANDROAL: 25 de Abril trouxe o Povo à Rua
O Alandroal comemorou o 40º aniversário da revolução de 1974 com
diversas atividades pelo concelho. Uma data que toda a população fez questão de
recordar e celebrar saindo à rua de cravo na mão.
Os festejos tiveram início na noite de 24 de abril com a peça de
teatro “É Preciso não esquecer”, encenada pelos alunos da Universidade Sénior
Túlio Espanca. Como o nome indica, a peça deu a conhecer aos mais novos o 25 de
Abril e recordou aos mais velhos alguns dos acontecimentos que marcaram o país
durante a ditadura. Temas como o ultramar, a destruição das famílias e dos
sonhos dos jovens que partiram para as colónias, a censura e as repressões
sofridas pelos opositores do regime foram os pontos-chave do teatro que
culminou com a entoação da canção Grândola Vila Morena, a qual levantou toda a
plateia.
Durante a manhã de 25, as ruas encheram-se de cidadãos para
assistirem ao tradicional hastear da bandeira na Câmara Municipal e nas sedes
de freguesia. Um momento cheio de emoção e significado acompanhado pela Banda
do Centro Cultural de Alandroal.
Ainda de manhã foi inaugurada na vila de Terena uma exposição
sobre o 25 de Abril, com desenhos e outros trabalhos das crianças do 1º ciclo e
um atelier de pintura na Praça da República em Alandroal, intitulado “Pintar a
Liberdade”, no qual os mais novos deram largas à imaginação.
O almoço convívio decorreu em Montejuntos, seguido de um momento
musical com “Os Filhos da Liberdade” (Jorge Vadio, Nuno Barroso e Mário Leão).
Durante a tarde a população deslocou-se até ao Alandroal para
ouvir o grupo “Trigueirão do Relheiro”, e os grupos corais de Alcáçovas e Malagueira,
assim como o espetáculo de Manuel Freire “Cantigas de Abril”.
As comemorações não ficaram por aqui e no dia seguinte, 26 de
abril, Terena voltou a receber a final da “5ª edição Seixal” em bicicleta, com
chegada ao Santuário da Boa Nova.
Também no dia 30 de abril, integrado nos festejos, esteve em
exibição no Fórum Cultural de Alandroal o filme “Até Amanhã Camaradas”.
O 40º aniversário da revolução dos cravos é comemorado durante
todo o ano e várias são as iniciativas agendadas.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
TEXTOS DE ABRIL (2): Paraíso Fiscal
Paraíso Fiscal
Letra: Miguel Cardina; Música e arranjo: Diabo a Sete
Intérprete: Diabo a Sete* com Carlos Guerreiro (ao vivo no
Teatro da Luz, Lisboa)
Dez cabelos penteados
Não pagam imposto
A luva está mais barata
Do que o fogo posto
Sabe bem pagar tão pouco
O segredo é total
Tens na ilha uma morada
Virtual
No Paraíso Fiscal
O silêncio é d'ouro
As mobílias são de prata
E os jardins de couro
Anjos, deuses, capitais
Filhos de alguém especial
Somar zeros à direita
Não faz mal
No Paraíso Fiscal
A justiça é cega
As fronteiras apagadas
E o tempo escorrega
Sabe bem pagar tão pouco
O segredo é total
Tens na ilha uma morada
Virtual
Guarda, rico, o teu roubo
Franca liberdade
Virar isto do avesso
Seria maldade
Somos sombras invisíveis
Sem gravata p'ra apertar
Mas hoje a nossa tampa
Vai saltar
Dez cabelos penteados
Não pagam imposto
A luva está mais barata
Do que o fogo posto
Sabe bem pagar tão pouco
O segredo é total
Tens na ilha uma morada
Virtual
No Paraíso Fiscal
O silêncio é d'ouro
As mobílias são de prata
E os jardins de couro
Anjos, deuses, capitais
Filhos de alguém especial
Somar zeros à direita
Não faz mal
terça-feira, 13 de maio de 2014
TEXTOS DE ABRIL (1): Crónica de um tempo incerto
Partir! Partir, sempre. E regressar...
No princípio foi o sonho e a aventura em caravelas transbordando
Espalhámos a fé, levámos a “civilização ocidental” (sempre a
civilização ocidental a moldar-nos, a tolher-nos os passos e os pensamentos),
estendemos o poderio militar, dominámos, fomos conquistadores (de quê?),
criámos mitos e heróis, mas olhando de soslaio as especiarias, o ouro e a
glória...
Tudo tivemos e desbaratámos. Como agora. O cravinho e a pimenta.
A malagueta e o açúcar. O café e o tabaco. Até o ouro do Brasil (quantos
negreiros, quantos escravos mortos, quanto sangue derramado?) desperdiçámos.
Tantos sonhos de riqueza em pouco tempo esfumados...
E novos sonhos se desfizeram em viagens consumidos.
Miragem de uma pátria imperial, estendida pelas cinco partidas
do mundo, mas configurada sempre ao rincão original, europeu.
Partimos. Estendemos os olhos e a cobiça, fomos senhores de um
vasto império.
E voltámos, sempre, mais pobres do que nunca, esquecidos de nós
próprios...
Atravessámos mares e oceanos, desbravámos caminhos e florestas,
fizemos a travessia do deserto e do tempo. Chegámos à década de 60 do século
passado. Famintos, oprimidos, estranhos na própria “casa”, lançámo-nos noutra
aventura: a conquista do pão e da dignidade.
Demandámos outras paragens, partimos novamente. Atravessámos
Alpes e Pirinéus, fintámos a fome, suportámos os rigores do frio e da neve,
enganámos os carabineiros.
Uns. Outros, não... Alguns jazem, sabe-se lá em que vereda ou
ravina, perpassados pelas balas das armas dos homens sem coração ou pelo
espírito da traição...
Partir e voltar. Sempre. O retorno ao rincão natal. A vida
ligeiramente melhor. A dignidade reconquistada (será?).
Português. Povo que sofre, que luta, parte e retorna.
Já Eça, há uma século atrás entendia a sua alma.
Mário Mendes – Fev.1986
sábado, 3 de maio de 2014
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Fundação INATEL: Exposição 1º de Maio - 40 anos em liberdade
Academia INATEL - Parque de Jogos 1º de Maio - Entrada Livre
3 - 31 de maio | inauguração dia 3 às 15h | 3ª a 6ª das 14h às
20h | sábado e domingo das 10h às 20h
Visitas guiadas para grupos de escolas (sob marcação) 3ª a 6ª
das 10h às 13h | t. 210.027.193 | 40anos1demaio@inatel.pt
A Fundação INATEL assinala os 40 anos do 1º de Maio de 1974 com
uma exposição comemorativa do evento que levou milhares de portugueses às ruas
de Lisboa, lembrada como a maior manifestação popular alguma vez registada. A
concentração dos manifestantes ocorreu na Alameda D. Afonso Henriques, dali se
dirigindo ao então denominado Parque de Jogos da FNAT, entretanto rebatizado
como Estádio 1º de Maio.
Esta iniciativa promove a exibição de materiais documentais,
nomeadamente fotografias e testemunhos, que revelam a história dos
acontecimentos do primeiro 1º de Maio após 25 de Abril de 1974. Conta com o
apoio do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa,
centrais sindicais CGTP e UGT, OIT, Cinemateca Portuguesa, Associação 25 de
Abril, Grupo RTP e DN.
Durante a inauguração, no dia 3 de maio, pelas 15h, será pintado
um mural pelos alunos da Escola Secundária Artística António Arroio.
A mostra ficará patente até 31 de maio.
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