terça-feira, 13 de maio de 2014

TEXTOS DE ABRIL (1): Crónica de um tempo incerto

Partir! Partir, sempre. E regressar...
No princípio foi o sonho e a aventura em caravelas transbordando
Espalhámos a fé, levámos a “civilização ocidental” (sempre a civilização ocidental a moldar-nos, a tolher-nos os passos e os pensamentos), estendemos o poderio militar, dominámos, fomos conquistadores (de quê?), criámos mitos e heróis, mas olhando de soslaio as especiarias, o ouro e a glória...
Tudo tivemos e desbaratámos. Como agora. O cravinho e a pimenta. A malagueta e o açúcar. O café e o tabaco. Até o ouro do Brasil (quantos negreiros, quantos escravos mortos, quanto sangue derramado?) desperdiçámos. Tantos sonhos de riqueza em pouco tempo esfumados...
E novos sonhos se desfizeram em viagens consumidos.
Miragem de uma pátria imperial, estendida pelas cinco partidas do mundo, mas configurada sempre ao rincão original, europeu.
Partimos. Estendemos os olhos e a cobiça, fomos senhores de um vasto império.
E voltámos, sempre, mais pobres do que nunca, esquecidos de nós próprios...
Atravessámos mares e oceanos, desbravámos caminhos e florestas, fizemos a travessia do deserto e do tempo. Chegámos à década de 60 do século passado. Famintos, oprimidos, estranhos na própria “casa”, lançámo-nos noutra aventura: a conquista do pão e da dignidade.
Demandámos outras paragens, partimos novamente. Atravessámos Alpes e Pirinéus, fintámos a fome, suportámos os rigores do frio e da neve, enganámos os carabineiros.
Uns. Outros, não... Alguns jazem, sabe-se lá em que vereda ou ravina, perpassados pelas balas das armas dos homens sem coração ou pelo espírito da traição...
Partir e voltar. Sempre. O retorno ao rincão natal. A vida ligeiramente melhor. A dignidade reconquistada (será?).
Português. Povo que sofre, que luta, parte e retorna.
Já Eça, há uma século atrás entendia a sua alma.
Mário Mendes – Fev.1986

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Fundação INATEL: Exposição 1º de Maio - 40 anos em liberdade

Academia INATEL - Parque de Jogos 1º de Maio - Entrada Livre
3 - 31 de maio | inauguração dia 3 às 15h | 3ª a 6ª das 14h às 20h | sábado e domingo das 10h às 20h
Visitas guiadas para grupos de escolas (sob marcação) 3ª a 6ª das 10h às 13h | t. 210.027.193 | 40anos1demaio@inatel.pt
 A Fundação INATEL assinala os 40 anos do 1º de Maio de 1974 com uma exposição comemorativa do evento que levou milhares de portugueses às ruas de Lisboa, lembrada como a maior manifestação popular alguma vez registada. A concentração dos manifestantes ocorreu na Alameda D. Afonso Henriques, dali se dirigindo ao então denominado Parque de Jogos da FNAT, entretanto rebatizado como Estádio 1º de Maio.
Esta iniciativa promove a exibição de materiais documentais, nomeadamente fotografias e testemunhos, que revelam a história dos acontecimentos do primeiro 1º de Maio após 25 de Abril de 1974. Conta com o apoio do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, centrais sindicais CGTP e UGT, OIT, Cinemateca Portuguesa, Associação 25 de Abril, Grupo RTP e DN.
Durante a inauguração, no dia 3 de maio, pelas 15h, será pintado um mural pelos alunos da Escola Secundária Artística António Arroio.
A mostra ficará patente até 31 de maio.

terça-feira, 29 de abril de 2014

PORTALEGRE: Teatro do Convento e SPZS comemoraram 25 de Abril




SPZS comemorou os 40 anos do 25 de ABRIL com o TEATRO do CONVENTO e amigos do Grupo de Cantares do Semeador
Na noite de 24 para 25, no espaço do Teatro do Convento, em Santa Clara, decorreu a festa de celebração do 40º aniversário do 25 de Abril.
Organizada pelo Grupo do Teatro do Convento ao qual se associou o Sindicato dos Professores da Zona Su,l a festa/convívio contou com a participação de alguns músicos do Grupo de Cantares do Semeador. A exposição do SPZS - "Páginas da Liberdade - Páginas da Revolução" ocupou o palco do Teatro na Igreja de Santa Clara enquanto eram projectados na fachada documentários e filmes alusivos ao 25 de Abril. No espaço do café decorreu a sessão de poesia e canto com muitos dos presentes a subirem ao palco com grande naturalidade para recitar a poesia de Abril convocando todos os poetas de Natália Correia, Manuel Alegre, Eugénia Cunhal, Ary dos Santos a Camões, ouviram-se poemas de amor, protesto e luta que foram também cantados por todos à medida que a memória das letras se recompunha, "Cantata da paz /vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar" de Sophia de Mello Breyner iniciou a parte musical que terminou com a "Grândola" já na madrugada do dia 25 de Abril.  

PÓVOA E MEADAS: 1º de Maio com Convívio Popular na Barragem


ÉVORA: Tino Flores no Armazém 8