quinta-feira, 17 de abril de 2014

OPINIÃO: Até já, meu amor...

Hoje parto, sabendo as terríveis saudades que sentirei, esperando que um dia me retribuas apenas com um sorriso de esperança tudo o que sonhei ser para ti: um filho amado pelo seu País.
Todas as histórias são de amor. Seja por uma ideia, uma pessoa, uma convicção, um sonho, um lugar ou um objetivo, as histórias de cada um são sempre de uma profunda paixão; de encontros e desencontros, sofrimento e alegria, de desespero e de esperança, tudo em nome deste amor, que por mais encruzilhadas e trilhos ziguezagueantes que possamos calcorrear, é a estrela que dita a direção dos nossos passos.
A minha história, tal como as histórias de cada um, é repleta de traços irrepetíveis, cores combinadas de uma forma singular e banda sonora composta pelos acordes produzidos pelo instrumento nunca silenciado que é o meu coração. É, pese a ausência e originalidade, uma história de um profundo amor: apaixonei-me pelo País que me viu nascer. Apaixonei-me pelas suas perfeições, apaixonei-me pelas suas imperfeições, apaixonei-me por cada um dos seus detalhes e pelo sonho de o poder mudar; não é um amor ciumento, afinal apaixonei-me por um Portugal com braços calorosos para todos poder acolher, assim o quisesse.
A minha história, de aventuras e desventuras, é hoje escrita com a dificuldade de quem tem lágrimas nos olhos e o coração esmagado pela esperança que desvaneceu: desisto de tentar amar um país que há muito desistiu de me amar a mim.
A minha história hoje é de um amor não correspondido, um daqueles romances shakespearianos de final trágico. Uma paixão que tudo fiz para manter viva, entregando-me de corpo e alma a todos as pequenas e grandes lutas pelo meu país, da melhor forma que sempre pude.
Fui enfermeiro no meu País, julgando assim que pudesse olhar para mim com orgulho. Milhares de pessoas junto das quais acredito ter podido fazer a diferença, estando com elas nos momentos de doença, de sofrimento, de pequenas conquistas que nos enchiam a alma, de recuperações milagrosas, de desespero, de morte, de vida, de esperança. Milhares de horas em que abdiquei do conforto do lar e da família nas longas noites, fins-de-semana, Natais, para ser a mão que trata e a mão que ampara, para ser o coração que compreende, para ser a mente ávida de tratar cada vez melhor.
Não chegou para o meu amado país, e ao fim de 9 anos de uma carreira devotada a enriquecer o serviço público, o meu amor é recompensado com vencimento cada vez menor (roçando o insulto brejeiro à dignidade pessoal e profissional), com beliscadelas constantes aos meios para cuidar com dignidade, com ameaças de despedimento fácil e com uma ausência de reconhecimento de uma devoção que nunca vacilou.
Fui político no meu país, julgando assim que poderia ajudar a mudar as imperfeições do meu amor, que sentia cada vez mais distante. Ousei desafiar os que se servem da política ao invés de a servir, ousei pisar campos de batalha munido apenas com a arma que é o coração convicto, abdicando de cada minuto livre, pela oportunidade de fazer a diferença. Ousei sonhar que o meu país aceitaria uma política para o servir e não uma política para o enganar, exaurindo-o dos seus recursos e alma.
Fui ativista no meu país, entrincheirando-me na defesa dos direitos que são a cor de um País cada vez mais cinzento. Lutei pelo trabalho digno, lutei pela justiça, enfrentei todos aqueles que me queriam roubar e a mim e a tantos outros, o sorriso vaidoso de quem ama o que faz, o sorriso orgulhoso de quem acredita ingenuamente que a riqueza do seu País são as suas pessoas. Mais do que não me amar, o meu país castigou-me, roubou-me o emprego; restou a dignidade, restou a alegria de saber que como eu, outros amavam Portugal, tanto que se esquecem de si, esvaziando-se do seu egoísmo, entregando-se à luta pelo Portugal justo e digno que sonhamos.
Fui sonhador no meu país, de sorriso permanente, acreditando que o esforço, empenho, humildade e honestidade seriam os raios de sol que romperiam todos os dias de chuva. Fui sonhador acreditando que o suor diário transformaria as janelas em portas e que a procura constante em ser melhor faria o meu país apaixonar-se também por mim.
Fui crítico (injusto admito-o, forçado pela crueldade de uma realidade inegável), de todos os que se apressavam a desistir facilmente deste amor, procurando a reciprocidade num qualquer outro canto do mundo. Para mim, o amor pelo meu país tudo superaria.

Dancei na noite do meu País, senti o calor do seu sol enquanto me deslumbrava nas suas praias. Fui amigo, confidente, amante, sempre sob o céu estrelado que serve de teto ao Portugal do qual nunca quis abdicar.
Fui muitas coisas no País que amo; fui tudo o que não serei, pois a hora é de partida. Sem esperança, verdascado pela crueldade do salário injusto, pelo esforço sem recompensa alguma, pela destruição dos direitos, pelo definhar da possibilidade de sonhar, deixei de ter força para lutar pelo amor não correspondido.
Parto não por deixar de amar o meu País, mas porque se me esgotaram as forças para por ele lutar. Em qualquer outro lugar acredito um dia as voltar a encontrar, e de retrato no bolso e um amor que nunca será esquecido trilho um caminho que me leve para longe, mas na esperança de ser apenas o balanço para um dia voltar.
Sou hoje no meu País, aquilo que a geração de Abril lutou para que os seus filhos não fossem: emigrantes, escravos de um trabalho sem direitos, agrilhoados à ausência de sonhos e esperança. Um dia, suspiro, voltarei para ser algo mais, voltarei num outro Abril, voltarei qual afortunado de amor consumado e o meu País amar-me-á como eu não consigo deixar de amar.
Até já meu amor! Hoje parto, sabendo as terríveis saudades que sentirei, esperando que um dia sintas a minha falta, como eu já sinto a tua, ainda antes de partir; esperando que um dia me queiras nos teus braços novamente, e me retribuas apenas com um sorriso de esperança tudo o que sonhei ser para ti: um filho amado pelo seu País.

Tiago Pinheiro – Enfermeiro in http://www.esquerda.net/

quarta-feira, 16 de abril de 2014

NISA: Exposição documental "25 de Abril: um marco na história"


CASTRO VERDE: Viva quem canta...a liberdade

A Primavera no Campo Branco inicia com um espetáculo evocativo da importância da cultura na conquista da Liberdade, corporizado pelos agentes culturais de Castro Verde.
Tendo como referência o filme de Tiago Pereira “Com memória na Rima: o 25 de Abril e a Cultura em Castro Verde”, o cante e a poesia unem-se num espetáculo onde se cantará e dirá a palavra Liberdade.
Do repertório para esta noite constam canções de intervenção da autoria de Fernando Lopes Graça, José Afonso e Vitorino, mas também as sonoridades da tradição musical do Alentejo.
A par do cante e da música soará a palavra poética na voz do escritor e poeta José Fanha.
Entrada livre
Cineteatro Municipal | 21h30
Parceria: Câmara Municipal de Castro Verde. Conservatório Regional do Baixo Alentejo – Secção de Castro Verde. Associação Sénior Castrense. ACA “Os Ganhões” Cante, Poesia e Música.


AVIS: Comemorações do 25 de Abril


MONTEJUNTOS: Espectáculo musical "Filhos da Liberdade"


VIDIGUEIRA: 40 Anos do 25 de Abril comemorados em todo o concelho

24 Abril
Exposição dos trabalhos dos alunos do Agrupamento de Escolas - Centro Multifacetado de Novas Tecnologias
21h30 | Espetáculo comemorativo dos 40 anos do 25 de Abril
Grupo Explosive Dancer's - gama
Escola de Música da CMV
Grupo Coral «Os Vindimadores»
Banda Filarmónica dos BVV
Ceia convívio
Praça Vasco da Gama
24h00 | Lançamento de 40 morteiros comemorativos dos 40 anos de Abril
25 abril
9h00 | Cicloturismo e Caminhada (ver programas  próprios)
Org: Associação Trilhos de Baco
10h00 | Sessão solene da Assembleia Municipal
Centro Multifacetado de Novas Tecnologias
26 abril
16h00 | Apresentação do plano de atividades do GAJ
Lançamento da iniciativa Rock in Rio 2014
Entrega das bolsas de estudo aos alunos do ensino superior
Centro Multifacetado de Novas Tecnologias
Exposições
Pintura e escultura "Ficalho Artes" - 23 abr. 16 maio
Antiga biblioteca
 Fotografia
Prémios 2012 - Estação Imagem
24 abr. 24 maio - Centro Multifacetado de Novas Tecnologias
 PEDRÓGÃO Dia 25 abril
10h00 | Largada de pombos e balões
11h00 | Participação no encerramento do cicloturismo – junto à barragem de Pedrógão
18h00 | Atuação do grupo musical “Terra Bela” e distribuição de cravos
 Dia 26 abril
10h00 | Torneio de sueca e corrida de triciclos
17h00 | Lanche partilhado com animação musical – Manuel António
dia 27 abril
09h00 | Caminhada pedestre
10h00 | Torneio da malha
dia 1 maio
09h00 | Cicloturismo na freguesia
15h00 | Corrida de cântaros
18h00 | Entrega de prémios dos torneios
19h00 | Atuação do grupo musical “Sol do Guadiana”
MARMELAR
dia 24 abril
22h00 | Cantares alentejanos
24h00 | Prova de licores
dia 25 abril
16h30 | Llanche partilhado (no pavilhão)
17h00 | Atuação musical com Francisco Borges
dia 26 abril
10h00 | Torneio da malha
dia 27 de abril (domingo)
10h00 | Torneio de sueca
dia 1 maio
09h00 | Cicloturismo na freguesia
16h00 | Grupo Coral dos alunos da Escola de Música de Vidigueira
17h00 | Entrega de prémios dos torneios
 VILA DE FRADES
dia 25 abril
09h30 | Entrega dos pastéis de nata aos participantes no Passeio de Cicloturismo (Centro de Dia)
15h30 | Sessão solene de condecorações aos autarcas eleitos democraticamente na Junta e Assembleia de Freguesia desde o 25 de Abril (Salão da Junta)
Passagem de filme, “A evolução do trabalho do poder autárquico”
17h00 | Mostra de doçaria tradicional (antiga Adega do Parreira) - animação musical com Martinho Caeiro
dia 26 abril
Tarde desportiva (Pavilhão Luís Rosa Mendes)
15h00 às 16h00: Inicio das atividades e inscrições para os torneios.
16h00 | Sorteio das inscrições recebidas, para os torneios que irão decorrer em simultâneo, nas seguintes modalidades:
- Torneio setas bullshooter
- Torneio de matraquilhos
- Torneio de ténis mesa
- Torneio de damas
-Torneio de cartas "sueca" - Org. Grupo Desportivo Vilafradense
22h00 | Baile com Rui Chora (Pavilhão Luís Rosa Mendes) - Org. Comissão de Festas 2014
dia 27 abril
09h00 | Passeio pedestre (concentração na Junta de Freguesia)
Org. Associação Juvenil São Cucufate
Almoço – sócios 7.50€, não sócios 10.00€; Sem almoço 5.00€; Abastecimento sólido e líquido
SELMES
dia 25 abril
10h00 | Apoio ao Cicloturismo
 16h00 | Atuação do “Grupo Coral e Instrumental Os Flamingos” e lanche convívio no Pavilhão de Festas
dia 27 abril
09h00 | Jogos tradicionais (no parque)
Jogo da malha
10h00 | Torneio do berlinde (inscrições nos Centros de Dia de Selmes e Alcaria)
dia 1 maio
Jogo de futebol - 09h00 | Solteiros & Casados (Estádio do Pocinho)
11h00 | Solteiras & Casadas (Polidesportivo)
ALCARIA DA SERRA
dia 25 abril
10h30 | Apoio ao cicloturismo
17h00 | Atuação do “Grupo Coral e Instrumental Os Flamingos” e lanche convívio no Largo da Bica
dia 27 abril
Jogos tradicionais
09h00 | Jogo da falha (Largo da Bica)
10h00 | Torneio do berlinde
 (inscrições nos Centros de Dia de Selmes e Alcaria)

VILA VIÇOSA: 25 de Abril - 40 Anos


No dia 24 de Abril de 1974, há 40 anos, não havia praças livres em Portugal. E a tal cantiga (Grândola, de Zeca Afonso) era canção maldita para o regime ditatorial. Mas nessa primavera, poucas horas depois, tudo mudou: a cantiga ouviu-se na rádio (foi uma das senhas da Revolução), finalmente houve liberdade nas praças e os cravos tornaram-se uma marca fundamental de Liberdade, no mais amplo sentido da palavra.

Passaram 40 anos. Celebrar a Revolução de Abril faz hoje, talvez mais que nunca, todo o sentido. Para que não se repita a ditadura, a opressão, a censura.